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Destaques

Moda em Movimento: A Revolução dos Vídeos que Traduzem Essência

A forma de comunicar moda está mudando, e muito rápido na minha visão... Hoje, registrar um desfile vai muito além de “mostrar roupas”: tem que traduzir sensações, ritmo, textura, conceito… tem que revelar a alma e o conceito do projeto. No lançamento da marca UÓ, de marcelo sommer , essa visão ganhou força com o vídeo produzido pela hungryman , que transformou o desfile em uma obra audiovisual. Escaneamento digital, movimentos de drone, recortes precisos de edição e uma leitura sensível dos detalhes especialmente das peças criadas 100% em upcycling têxtil, eles criaram uma narrativa que amplia o propósito da coleção e coloca a circularidade como protagonista. O resultado é um filme que interpreta. É assim que vejo os novos caminhos da comunicação de moda: - menos registro, mais narrativa - menos equipamento, mais olhar - menos superfície, mais propósito A quem trabalha com imagem, branding, moda, inovação e storytelling: este vídeo é um case contemporâneo de como unir sensibili...

McQueen arrebatador ! Por Henrique Steyer

 
“Vou levá-los em viagens que vocês nunca sonharam que fosse possível.” – Alexander McQueen prometeu e cumpriu!
A exposição Savage Beauty, no  Metropolitan Museum of Art, em Nova York, inaugurada durante o Baile anual do MET chega ao fim e deixa as melhores impressões possíveis àqueles que puderam ver este resumo da obra de um grande gênio. McQueen não era um estilista. Era um artista, criador e questionador ímpar. O trabalho de curadoria é louvável, assinado por Andrew Bolton, que afirmou: "Com sua fascinação pelo macabro, o grotesco e o sublime, Alexander McQueen era nada menos que um grande artista, e está no lugar certo: no museu."
A fila de entrada para este grande show visual tinha um tempo de espera de pelo menos duas horas e meia, onde pessoas do mundo inteiro, de todas as tribos e estilos esperavam ansiosas para ver de perto o legado de uma das mentes mais brilhantes dos últimos tempos. Já na entrada, somos surpreendidos com a qualidade do trabalho que reflete a paixão que Alexander tinha por aquilo que fazia.
A exposição é dividida em seis ambientes “A mente romântica”, “Gótico romântico e gabinete de curiosidades”, “Nacionalismo romântico”, “Exotismo romântico”, “Primitivismo romântico” e “Naturalismo romântico”. Em meio a tudo isso, projeções no teto, frases de impacto nas paredes, efeitos visuais incríveis com jogo de espelhos e modelos criados com penas de pato, de avestruz, metal, madrepérolas, etc., etc., etc. No salão que mostra os sapatos e acessórios, itens de fetishe segundo o estilista, percebemos que a trilha sonora dá espaço a sons de gemidos de prazer, típicos de filmes eróticos. Bravo!
Aos 40 anos de idade, Alexander McQueen, que apresentava um quadro de insônia e depressão, foi encontrado morto em sua casa após se enforcar. Seria uma forma desta mente espetacular fugir deste mundo, que para ele deveria parecer repleto de pessoas medíocres e egoístas, ocupadas com suas rotinas insossas, enquanto ele criava um legado impressionante? Quanto ele não terá sofrido com tudo isso? Teria ele uma visão ampliada do caos? Há uma frase dele que diz: “Vejo beleza no grotesco, como a maioria dos artistas."   Talvez este seja o preço de nossas escolhas...
Me conforta o fato desta ser uma das exposições de maior sucesso no Metropolitan nos últimos tempos. Para mim, seu trabalho não tem precedentes. Ele conhecia muito bem as regras e tradições, e por isso, as quebrava com tanta maestria. O que foi mostrado lá, está longe de ser roupa. É mais do que conceito. É único! Só quem viu sabe o que foi. Aplausos! God save McQueen!
Henrique Steyer é arquiteto e publicitário, com pós-graduação em design estratégico pelo Politécnico de Milão e comanda a ALBUS design.
 

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